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  1. A EDUCAÇÃO

Diremos que as atividades pedagógicas que colocam o professor diante dos estudantes constituem o ensino presencial direto. Dar uma aula expositiva, dirigir uma sessão de trabalhos práticos, questionar os alunos, corrigir diante deles exercícios práticos ou aplicar exames orais, significa praticar o ensino direto. Quando o professor se deixa interrogar pelos alunos, respondendo as suas questões durante uma discussão pública ou privada, também se pode falar de ensino direto.

Mas além destas formas, todas elas relativamente conhecidas, de ação pedagógica, há uma infinidade de trabalhos de ensino não-aparentes que contribuem para a instrução ou a educação dos alunos sem colocar o professor em contato com sua “clientela”, que chamaremos, na falta de um termo mais adequado, de ensino a distância.

A redação de uma obra didática, a preparação de um curso ou de urna conferência, a montagem de novos trabalhos práticos, o levantamento de temas de teses, são exemplos deste ensino in absentia, que pode incluir ainda a redação de exercícios teóricos, a preparação de temas de exames ou, de forma mais genérica, de provas teóricas ou práticas visando o controle dos conhecimentos, a correção e a atribuição de notas aos deveres e provas de exame, o estudo de teses e os trabalhos de organização pedagógica, o estabelecimento do “planinng” de estudos ou a distribuição de tarefas pedagógicas dentro de um departamento ou de urna equipe de ensino.

Evidencia-se, assim, a extrema variedade de trabalhos de ensino e a extraordinária extensão do espectro de atividades pedagógicas. E, no entanto, ainda nem mencionamos a variedade das diferentes “ordenações pedagógicas” em que se subdividem, por sua vez, todas estas formas de ensino como no caso do ensino a distância.

Um curso pode ter dimensões variadas, dirigindo-se a uma dezena de estudantes ou à plateia de um gigantesco anfiteatro. Por sua vez, os trabalhos dirigidos podem tomar a forma de simples “orientação”, em que o professor se limita a indicar as grandes linhas do tema, ou de “correção” de um aluno em dificuldades. Podem também assumir a forma de um diálogo particular entre o aluno e seu “tutor”.

Por outro lado, a redação de obras didáticas pode tornar a forma de manual ou apostila dirigida aos alunos, ou de orientação do “ensino programado”, ou se limitar à preparação de meras diretivas de estudo com a indicação de uma lista de obras a serem consultadas.

Finalmente, como mencionamos anteriormente, as ideias de Massetto (2003) na medida em que a tarefa do ensino não é apenas a de formar os alunos, mas também orientá-los, situá-los na vida ativa, os trabalhos do professor poderão tomar a forma de “conselhos de orientação” ou de prospecção de rendimentos. Procura mostrar como o professor que não recebeu treinamento formal em metodologia do Ensino Superior poderia iniciar um trabalho como o preconizado por Massetto (2003) ao indicar que há várias formas, como a formação de grupos de docentes que partilhem ideias referentes ao trabalho docente, seminários, encontros, etc. sempre, porém, com o apoio da instituição de Ensino Superior em que trabalha Massetto (2003) assinala que se propôs a apresentar ideias e sugestões, mas não prescrever normas de conduta profissional.

Como se vê, a imagem do ensino que o reduz a “discursos” mais ou menos brilhantes, é bastante incompleta. Os trabalhos do ensino a distância são as raízes invisíveis que nutrem a árvore do ensino, e é de sua qualidade que depende essencialmente a eficácia da Universidade.