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AS DIFERENÇAS ENTRE O ENSINO E A PESQUISA
A especificidade do ensino em relação à pesquisa se exprime através do emprego de dois termos diversos e constitui uma eficiência mesmo para um espírito desprevenido. Mas esta evidência foi de tal modo obscurecida por certos amálgamas que é absolutamente necessário colocar as coisas nos seus devidos lugares.
O ensino e a pesquisa são duas atividades com finalidades distintas. Por isto exigem disposições, motivações e competências muito diversas. Por outro lado, as características gerais do ensino e da pesquisa que acabamos de analisar evidenciaram a irredutível e profunda diferença de suas orientações.
O ensino supõe sempre uma ação de alguém que ensina sobre alguém que recebe um ensinamento, e coloca sempre em contato, direta ou indiretamente, duas pessoas, das quais uma pretende transformar a outra, do mesmo modo que o engenheiro pretende transformar o mundo à nossa volta.
A orientação da pesquisa é totalmente diversa, mesmo quando voltada para seres humanos (como em sociologia, psicologia ou medicina) com a intenção de conhecê-los melhor, individualmente ou coletivamente, ou de melhor agir sobre eles (terapêutica ou “manipulação”). De modo geral, a pesquisa pretende produzir novos conhecimentos, novas técnicas, ou colocar novos problemas, e não como é o caso do ensino, formar alguém. A própria atividade de pesquisa é totalmente estranha a qualquer preocupação pedagógica!
A esta profunda diferença de orientação corresponde uma diferença não menos profunda na natureza dos trabalhos de ensino e de pesquisa. De fato, é evidente que não há nada em comum entre os trabalhos de ensino direto tais como por nós definidos e os trabalhos de pesquisa, que são feitos, ou pelo menos, deveriam sê-lo na solidão e no silêncio. É não menos evidente que a elaboração de um exercício (teórico ou prático), cuja solução se conhece de antemão, não tem nada em comum com a aventura, sempre arriscada que representa a pesquisa.
Quando se encaram os trabalhos de ensino sob a forma de pesquisa de novas explicações ou de novas apresentações de descobertas recentes, a diferença entre os trabalhos de ensino e os de pesquisa se atenua. Porém, mesmo neste caso, subsiste a especificidade de orientação dos trabalhos.
Examinemos de que maneira as diferenças de orientação e de natureza entre ensino e pesquisa se refletem nas atitudes, preocupações e estados de espírito do professor e do pesquisador, sendo no entanto, dentro das suas especificidades transformadores.
