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CONCLUSÃO
O ensino superior do passado, dos anos 40 aos 70 do século XX, era privilégio da elite e no seu caráter exclusivo tinha como propósito preparar os futuros dirigentes e os profissionais liberais.
Atualmente, devido à massificação dos sistemas educativos, a função banalizou-se, sob certo aspecto, e os diplomas de bacharel perderam a sua importância, passando a ser instrumento de ingresso no mercado de trabalho nos escalões mais variados e ainda assim, nem sempre como garantia de emprego compatível.
O início do século XXI traz consigo apreensões e pessimismo em relação à sociedade e à humanidade no sentido de suas capacidades na solução dos inúmeros problemas sociais graves que se postam à sua frente.
Aprender a ser, a fazer, a conhecer e a viver em comum são objetivos ainda longe do alcance da maioria das populações.
Neste sentido o ensino superior exercerá importante papel, contribuindo para a formação da cidadania no sentido de favorecer a compreensão e a tolerância, não sendo apenas um processo formativo, mas um instrumento de reconstrução da sociedade na esteira das novas atitudes e do entendimento das diferenças.
As crises econômicas mundiais agravam as dimensões das questões do emprego, estima-se em cerca de 50 milhões o número de desempregados na Europa e apenas 45% da população ativa dos países em desenvolvimento, possuem trabalho.
No mundo vivendo profundas mudanças sociais, econômicas e tecnológicas a instrução tornou-se estratégica e essencial para a sobrevivência, o progresso individual e social.
Quem estiver distante do saber, do conhecimento e das experiências no trabalho estará em desvantagem em relação aos demais na sociedade competitiva atual, ampliando também a distância social e econômica entre os países ricos e os pobres.
Os desequilíbrios tornar-se-ão ainda mais graves, com a disseminação da pobreza e da miséria, da violência e do comércio das drogas imperando nas comunidades carentes.
A educação aparece como um bem primordial, que compreende informação, conhecimento e sabedoria e que gera, entre outros benefícios, rentabilidade dos investimentos públicos e privados.
Por outro lado os países menos desenvolvidos dispõem de recursos públicos limitados para a educação, principalmente para a Educação Básica, (Ensino Fundamental e Médio), sempre oferecida com qualidade inferior e altas taxas de evasão. No Brasil, particularmente no Estado do Rio de Janeiro, de cada 100 alunos matriculados na primeira série do Ensino Fundamental, nem 30 concluem o Ensino Médio.
E mais, a qualidade demandada pelo Ensino Superior para os seus ingressantes não se harmoniza com a dos poucos concluintes do Ensino Médio, onde menos de 25% dos candidatos conseguem acesso ao Ensino Superior público gratuito, e os demais buscando, de forma socialmente invertida, as instituições privadas, nem sempre disponíveis com a qualidade desejável.
Tais indicadores promovem questões que no passado não ocorriam por não serem nem mesmo cogitadas, como por exemplo, se os estabelecimentos de ensino superior estão formando profissionais identificados com valores morais e competências profissionais de modo a contribuírem para uma ordem social melhor no século XXI, e em segundo lugar se devido às necessidades sociais dos alunos, as instituições de ensino superior levam em consideração as futuras perspectivas de emprego de seus concluintes, o que no passado nunca seria cogitado.
As propostas de ensino superior devem sempre estar adequadas às demandas com competências múltiplas levando em conta as naturezas distintas das ofertas devido aos impactos da evolução tecnológica nas simplificações do trabalho,às características das carreiras governamentais como grande fonte de empregos,à diminuição da vida profissional,à importância da educação permanente e à crescente importância dada ao ajustamento estrutural e à sua repercussão na garantia de desenvolvimento socioeconômico e cultural endógeno.
O desenvolvimento passa necessariamente pela formação do homem logo é justo afirmar ser a função primordial da Universidade a de formação.
É claro que não se pode restringir a sua função exclusivamente ao ensino, mas também promover o progresso por meio da pesquisa.
A elite acadêmica considera a pesquisa a “mais nobre e mais bela” missão acadêmica, mas não se pode negar as missões econômica e técnica formando quadros em todos os níveis da atividade nacional.
Ainda assim, resta a missão social ligada ao fato de que um nível de instrução mais alto em geral se traduz por melhores empregos e salários.
As missões citadas nem sempre são harmônicas nem se complementam, são muitas vezes concorrentes ou mesmo antagônicas, exigindo o que se denomina de medidas visando à otimização.
A pesquisa pode entrar em conflito com a formação ou vice-versa e será necessário que sejam harmonizadas seja no plano estrutural como no estatutário.
Finalmente um destaque para as considerações sobre a qualidade do ensino. A exigência da qualidade tornou-se obsessiva no ensino superior comportando múltiplos aspectos no ensino público e uma questão de sobrevivência no ensino privado. Trata-se de um conceito pluridimensional e que remete à garantia da qualidade envolvendo políticas, sistemas e processos conduzidos no sentido de assegurar a melhoria dos padrões de qualidade e dos produtos da educação produzidos pelas instituições.
A educação, em todos os níveis, tem sido objeto de inúmeras promessas ao longo dos últimos trinta ou quarenta anos e que lamentavelmente nem sempre foram cumpridas. O século XXI necessita que se transformem em fatos concretos e realizações para o bem da humanidade.
