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A PREOCUPAÇÃO COM A ORIGINALIDADE E COM A NOVIDADE
A escala de valores do pesquisador é muito particular e, sob certos aspectos, paradoxal. De fato, embora o valor de um “resultado” seja a coisa mais indefinível e a mais difícil de ser estabelecida, o conjunto de pesquisadores constitui uma “coletividade a distância” fortemente hierarquizada, em que a situação de cada pesquisador individual (ou cada equipe) está fundada, em princípio, sobre o “valor” de seus resultados.
Mas quando se tenta descobrir os elementos principais deste valor fugaz, é possível depreender alguns critérios de valor imediato, como a prioridade, a oportunidade, a generalidade e a novidade.
A preocupação com a originalidade e a novidade conduz cada pesquisador a aplicar todo o seu engenho para se demarcar, por menos que seja, tanto de seus predecessores quanto de seus contemporâneos. Os conhecimentos “estabelecidos”, qualquer que seja sua utilidade teórica ou prática, interessam ao pesquisador sobretudo na medida em que podem servir ao progresso de suas próprias investigações no âmbito restrito de suas pesquisas especializadas. Se principal objetivo é superar esses conhecimentos e, na medida do possível, destruir as “velhas verdades”.
Poder-se-ia dizer, no limite, que na escala de valores do pesquisador predomina a ostentação. O pesquisador se interessa antes de tudo pelos problemas cuja resolução pode lhe proporcionar o máximo de consideração e de prestígio. Esses problemas não são necessariamente os mais instrutivos para os estudantes em um dado momento de sua formação.
Algumas características de muitos pesquisadores em todo o mundo e que devem ser evitadas são, por exemplo: falta de interesse pela unidade dos conhecimentos; tendências à dissimulação; desprezo pelo esforço de redação; falta de interesse pelas “explicações”; atitude possessiva em relação ao conhecimento; espírito de oposição.
