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Rio de Janeiro, 04 de dezembro de 2009

Manhãs da modernidade

Que ninguém se engane, só se consegue a simplicidade através de muito trabalho. (CLARICE LISPECTOR)

Nos dias de hoje, vivemos sob o efeito dos primeiros sintomas das transformações econômicas e sociais decorrentes do novo paradigma da produção industrial, pela surpreendente reengenharia social e política das nações, pelas novas formas de comercialização determinadas pela globalização da economia, enfim, indicadores que diante da pandemia mundial apelam por reflexões profundas sobre a organização do Estado, das empresas e das instituições, sejam elas das mais diversas naturezas.

O mercado de trabalho e as políticas de emprego e formação da mão-de-obra, como resultado, sujeitam-se a mudanças estruturais de consequências ainda imprevisíveis, mas que já revelam a necessidade de uma nova conduta dos que intervém diretamente na sua organização.

A terceirização de serviços, a informatização de procedimentos, a competitividade internacional, as novas tecnologias de automação, promovem alterações quantitativas e qualitativas no perfil do emprego que, mesmo o raciocínio prospectivo mais atento, sente dificuldade em apurar com mais precisão o seu novo formato.

Mesmo assim, sem querer adivinhar, pode-se considerar com alguma nitidez certos segmentos distintos do provocativo futuro do mercado de trabalho industrial.

O grupamento tecnológico composto de engenheiros, técnicos e operários com alta qualificação, polivalência de conhecimentos e habilidades, usuários abundantes de tecnologias informatizadas, operando em sistemas eletrizados de qualidade e produtividade, desenvolvendo com habitualidade o raciocínio lógico, a criatividade e o senso crítico.

Do ponto de vista quantitativo constituem minoria, no conjunto do emprego industrial, estimada em cerca de 15% da força de trabalho, detentores de 70% do produto industrial, voltado principalmente para o mercado externo.

O segundo segmento, de atributos distintos, mas associado a produção, compõe o quadro dos serviços autônomos e das micro e pequenas empresas, que apresentarão forte tendência de crescimento e organização, inclusive assimilando praticas de uso intensivo de tecnologias adequadas a natureza de seus processos e produtos.

A terceirização como instrumento de eficiência e elevação da produtividade conduz a geração de um conjunto de empregos flexibilizados, de peso quantitativo expressivo com ênfase em serviços auxiliares e administrativos e que deverão se distinguir do quadro anterior de natureza de sua mão de obra.

Haverá também espaços para serviços de criação, comunicação, projetos e outros assemelhados em que se destacam profissões técnicas de caráter autônomo ou micro e pequenas empresas.

A indústria tradicional, ou seja, a que adotara mudanças tecnológicas nos seus processos produtivos, mas sem alterações mais significativas na organização da produção, constitui o segmento clássico do emprego formal voltado para o mercado interno, reduzida em sua expressão qualitativa, mas de importância no elenco das oportunidades de emprego que ficarão sempre condicionadas à sanfona do crescimento econômico e às conjunturas determinadas pela ação mais ou menos direta do Estado.

Desta analise manifestamente superficial pode-se antever uma nova linha de atuação para o que, na verdade, virá a se constituir no prolongamento de ações já iniciadas e que deverão ser fortalecidas a curto e médio prazo.

Assim sendo e sem a preocupação de nominar os executores poder-se-á distinguir:

A agroindústria e as políticas de meio ambiente, saneamento, tratamento e distribuição de água e tratamento de esgotos serão estratégicos no desenvolvimento do país.

De tudo o que se percebe, vivendo as mazelas da modernidade brasileira, constata-se que há muito por fazer na convergência de propósitos de convolar com novas políticas de educação e saúde.